Por Equipe Viver Bem Sóbrio · Atualizado em outubro de 2026
Na avaliação para internação, dependência química, saúde física, saúde mental e contexto familiar são analisados juntos por profissionais, que então indicam o tipo de cuidado mais adequado. Para marcar, basta entrar em contato com a equipe, contar brevemente a situação e combinar data, local e quem vai participar. É um encontro para entender, não um compromisso de internar.
Muitas famílias chegam a essa etapa ansiosas, achando que a avaliação é uma “prova” que o familiar pode reprovar. Não é. Ela existe para que o tratamento comece do jeito certo.
Por que a avaliação vem antes de qualquer internação
No Brasil, a internação por questões de saúde mental, incluindo a dependência de álcool e outras drogas, segue regras claras. A Lei 10.216/2001 determina que a internação só acontece mediante laudo médico que explique seus motivos, e apenas quando os recursos fora do hospital se mostrarem insuficientes.
A Lei 13.840/2019, que alterou a Lei de Drogas, reforça esse caminho: prevê avaliação prévia por equipe técnica e diz que essa avaliação deve considerar, no mínimo, o tipo de droga, o padrão de uso e o risco à saúde física e mental da pessoa e de quem convive com ela.
Em outras palavras, a avaliação não é burocracia. É o que garante que a decisão sobre internar, ou não, seja tomada com base em critérios técnicos.
Como marcar a avaliação, passo a passo
- Faça o primeiro contato. Ligue ou mande mensagem para a equipe. Diga quem é o familiar, a idade aproximada, a substância principal e se ele concorda em ser avaliado.
- Informe sinais de risco. Uso diário de álcool ou remédios para dormir, doenças crônicas, gravidez, crises recentes ou pensamentos de morte mudam a prioridade do atendimento.
- Combine o formato. Pergunte se a avaliação será presencial, em qual unidade, ou se alguma parte pode ser feita por telefone ou vídeo. Confirme com a equipe o que é possível no seu caso.
- Defina quem participa. Geralmente o próprio familiar e uma ou duas pessoas próximas. Pergunte se haverá um momento a sós entre ele e o profissional.
- Pergunte o que levar. Documento com foto, carteirinha do plano (se houver), receitas e exames recentes costumam ser úteis. A lista exata deve vir da equipe.
- Anote tudo. Data, horário, endereço, nome de quem marcou e um telefone de contato.
Se vocês ainda estão nas primeiras horas depois do “sim”, veja antes o guia sobre o que fazer quando o familiar aceita tratamento.
Antes da avaliação, atenção: se o familiar apresentar confusão, convulsão, tremores intensos, falta de ar ou falar em tirar a própria vida, não espere a data marcada. Ligue para o SAMU 192, procure a UPA ou o pronto-socorro, ou ligue para o CVV 188.
O que é analisado na avaliação para internação: dependência química e muito mais
Cada serviço tem seu roteiro, mas uma boa avaliação costuma olhar para a pessoa inteira, não apenas para a substância.
Uso de substâncias
Quais substâncias, desde quando, com que frequência, se há uso combinado, tentativas anteriores de parar e o que aconteceu nelas. Também é comum investigar sinais de abstinência e de fissura.
Saúde física
Doenças já diagnosticadas, remédios em uso, alergias, internações anteriores. Dependendo do caso, o médico pode pedir exames antes de definir a conduta.
Saúde mental
Humor, ansiedade, sono, sintomas psicóticos, histórico de tentativas de suicídio. Transtornos que acontecem junto com a dependência são frequentes e precisam ser tratados ao mesmo tempo. O instituto norte-americano de pesquisa sobre drogas (NIDA) inclui isso entre os princípios de um tratamento eficaz.
Contexto de vida
Moradia, trabalho, dívidas, situação jurídica, filhos, rede de apoio. Esses fatores influenciam o tipo de cuidado e o planejamento da alta desde o começo.
Motivação e preferências
O que a própria pessoa quer, o que ela teme e quais objetivos tem. Na internação voluntária, a vontade dela é central, e o consentimento precisa ser registrado por escrito.
Quem participa e qual é o papel da família
Normalmente participam o familiar que vai ser avaliado, um médico (muitas vezes psiquiatra) e, conforme o serviço, outros profissionais como psicólogo, enfermeiro ou assistente social. A família costuma ser ouvida em algum momento, porque enxerga coisas que a pessoa nem sempre relata.
Ao mesmo tempo, o adulto avaliado tem direito ao sigilo. É normal que parte da conversa aconteça sem a presença dos parentes. Respeitar esse espaço aumenta a chance de ele falar com sinceridade.
Quanto tempo leva
Não existe um tempo padrão. Uma avaliação pode ser resolvida em um único encontro ou exigir mais de uma etapa, principalmente quando há exames a fazer ou dúvidas sobre outras condições de saúde. Pergunte à equipe, já na hora de marcar, quanto tempo reservar no dia e se haverá retorno.
Quer agendar a avaliação do seu familiar? A equipe da Viver Bem Sóbrio explica como funciona e, após a triagem, indica a unidade mais próxima. Agendar pelo WhatsApp ou ligue (11) 99900-2928.
Como a avaliação define o tipo de cuidado
Ao final, os profissionais indicam um caminho. Não existe um único tratamento ideal para todas as pessoas, e o NIDA lista isso como o segundo de seus princípios. Os resultados mais comuns são:
- Acompanhamento ambulatorial, com consultas e terapia enquanto a pessoa segue em casa. A Lei 13.840/2019 dá prioridade a essa modalidade sempre que ela for suficiente.
- Cuidado em serviço da rede pública, como o CAPS AD, que oferece acolhimento e acompanhamento intensivo. Saiba mais em o que é o CAPS AD e como funciona.
- Internação, quando há risco clínico, falhas repetidas no tratamento fora do hospital ou ausência de condições seguras em casa.
Se a indicação for internação e a pessoa concordar, o próximo passo é organizar a admissão. O guia sobre como funciona a internação voluntária explica os direitos e as etapas dessa modalidade.
Se a indicação for outra, não encare como derrota. Significa que existe um caminho possível com menos ruptura na vida dele, e que pode ser revisto se a situação mudar.
Se for seu pai/mãe, cônjuge, filho adulto ou irmão
- Pai ou mãe idosos: leve a lista completa de remédios e exames recentes. Interações entre álcool e medicamentos são comuns nessa fase da vida.
- Cônjuge: você provavelmente conhece a rotina melhor que ninguém. Prepare-se para relatar fatos concretos, sem acusações.
- Filho adulto: a decisão final é dele. Seu papel é dar informação e apoio, não falar por ele.
- Irmão ou irmã: combine com os pais ou outros parentes quem vai acompanhar, para não haver versões conflitantes.
Perguntas frequentes
A avaliação obriga meu familiar a ser internado?
Não. A avaliação indica o cuidado mais adequado. Na internação voluntária, a pessoa só é admitida se consentir e assinar uma declaração. Se ela não concordar, a equipe pode orientar a família sobre outras possibilidades.
E se ele chegar na avaliação sob efeito de álcool ou drogas?
Avise a equipe com antecedência ou na chegada. Dependendo do estado, pode ser preciso remarcar ou encaminhar para atendimento de urgência antes. Não esconda essa informação.
A família recebe um relatório da avaliação?
Depende do serviço e da autorização do próprio familiar, já que as informações de saúde são sigilosas. Pergunte à equipe como a devolutiva é feita e o que pode ser compartilhado.
Preciso de encaminhamento médico para marcar?
Em geral não, mas cada serviço tem suas regras, e alguns convênios exigem guias. Confirme com a equipe e com o plano antes.
Para uma visão geral de todas as etapas, visite a Central de Orientação para famílias.
Seu familiar aceitou ser avaliado? Não deixe a decisão esfriar. Fale com a equipe e marque a avaliação. Atendemos particular e convênios como Bradesco Saúde, Porto Seguro, Unimed, SulAmérica e Medservice. Falar com a equipe no WhatsApp · (11) 99900-2928
Fontes
- Lei nº 10.216/2001 (Planalto)
- Lei nº 13.840/2019 (Planalto)
- NIDA: Principles of Drug Addiction Treatment
Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação de um profissional de saúde.
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