Por Equipe Viver Bem Sóbrio · Atualizado em outubro de 2026
Quando um familiar quer sair da internação, o primeiro passo é falar com a equipe antes de responder qualquer coisa a ele. Ouça com calma, não prometa buscá-lo e não entre em discussão. Em seguida, procure a equipe para entender o que está acontecendo, quais são os motivos do pedido e como a clínica conduz essa situação. Na internação voluntária, a pessoa tem direito de pedir o encerramento, mas esse pedido segue um caminho formal, e há tempo para uma conversa cuidadosa.
Este artigo trata das primeiras horas depois do pedido. Para entender o modelo de internação como um todo, leia internação voluntária: como funciona.
O que fazer quando o familiar quer sair da internação
Pedidos para sair costumam chegar por telefone, num tom urgente: “Me tira daqui hoje”. É natural sentir o coração apertar. Algumas atitudes ajudam a não transformar um momento difícil em uma decisão precipitada.
Durante a ligação
- Ouça sem interromper. Deixe a pessoa falar o que está sentindo.
- Mostre que entendeu. “Estou ouvindo que você está muito mal aí.”
- Não decida na hora. “Eu vou falar com a equipe agora e a gente conversa de novo.”
- Não prometa nada que não depende de você, como buscar no mesmo dia.
- Não ameace. Frases como “se sair, não volta para casa” costumam piorar a crise.
Logo depois da ligação
- Ligue para o contato de referência que a clínica indicou.
- Conte exatamente o que ouviu, com as palavras da pessoa.
- Pergunte o que a equipe já sabe e o que vai ser feito.
- Combine quando você terá um retorno.
Se vários parentes receberem ligações, alinhem entre vocês quem fala com a equipe, para que todos passem a mesma mensagem.
Entender os motivos do pedido
Por trás de “quero sair” quase sempre existe outra frase. Entender o motivo ajuda a equipe a responder ao problema real. Os mais frequentes costumam ser:
- Desconforto físico ou emocional nos primeiros dias, inclusive sintomas de abstinência.
- Saudade de casa, dos filhos ou do parceiro.
- Conflito com outro paciente ou dificuldade com alguma regra.
- Preocupações externas, como trabalho, dinheiro ou um problema familiar.
- Ambivalência: a sensação de que “já está bem” e não precisa mais.
- Fissura, a vontade intensa de usar a substância.
Algumas dessas causas podem ser resolvidas ou acolhidas dentro do tratamento. Por isso a conversa com a equipe vem antes de qualquer decisão. Para o lado emocional desse pedido e como responder com empatia, veja vontade de sair da clínica antes da alta: como lidar.
O que conversar com a equipe
A família não precisa saber detalhes clínicos para ter uma boa conversa. Algumas perguntas organizam o diálogo:
- O pedido já foi feito à equipe ou só à família?
- Como a pessoa está agora? Existe algum risco físico ou emocional que preocupa?
- Qual parece ser o motivo principal, e o que pode ser ajustado?
- Como funciona, nesta clínica, um pedido formal de alta?
- Qual é o papel esperado da família neste momento?
- Há possibilidade de uma conversa conjunta entre equipe, paciente e família?
Lembre que parte das informações pode depender do consentimento do próprio paciente. Pergunte à equipe o que pode ser compartilhado.
Recebeu um pedido de saída e não sabe como responder? A equipe Viver Bem Sóbrio orienta familiares nesse momento. Fale pelo WhatsApp ou ligue (11) 99900-2928.
Os direitos na internação voluntária
A Lei 10.216/2001 define a internação voluntária como aquela que acontece com o consentimento do usuário. Quem consente assina, na admissão, uma declaração de que optou por esse regime. A mesma lei estabelece que o término da internação voluntária acontece por solicitação escrita do paciente ou por determinação do médico assistente. A Lei 13.840/2019, específica para dependência de drogas, traz regra semelhante.
Na prática, isso significa:
- A pessoa internada voluntariamente pode pedir para encerrar o tratamento, por escrito.
- A família não pode manter alguém internado voluntariamente contra a vontade dele.
- A equipe pode, e deve, conversar sobre riscos e alternativas antes da saída.
Como cada clínica organiza o pedido, os prazos internos e a saída na prática, confirme com a equipe. As perguntas que vale fazer ao médico quando o pedido se torna formal estão em pedido de alta antes do previsto: o que perguntar ao médico.
Quando é urgência. Se a pessoa relatar sintomas fortes, como tremores intensos, confusão, alucinações, convulsão, ou falar em tirar a própria vida, avise a equipe imediatamente. Fora da clínica, ligue para o SAMU 192, procure a UPA/pronto-socorro ou ligue para o CVV 188.
O que a família pode e não pode fazer
Pode: ouvir, acolher, falar com a equipe, participar de uma conversa conjunta, preparar um plano para o caso de a saída acontecer.
Não deve: buscar a pessoa sem conversar com a equipe, prometer dinheiro ou condições especiais em troca de ficar, esconder da equipe o que foi dito ao telefone ou tomar a decisão no lugar do paciente.
Se a pessoa decidir sair, isso não precisa significar o fim do cuidado. A equipe pode indicar caminhos de continuidade. Se a família não souber a quem recorrer, o artigo quem pode orientar a família quando a pessoa desiste do tratamento mapeia os apoios possíveis.
Se for seu pai/mãe, cônjuge, filho adulto ou irmão
- Pai ou mãe: pessoas mais velhas podem pedir para sair por preocupação com a casa ou com o cônjuge. Garanta que essas questões estejam resolvidas e conte isso a eles.
- Cônjuge: o pedido pode vir com apelos emocionais (“se você me amasse, me buscava”). Responda ao sentimento, não à proposta.
- Filho adulto: pais tendem a ceder rápido. Combinem entre vocês, antes, que nenhuma resposta será dada sem falar com a equipe.
- Irmão: se você for a pessoa mais próxima dele, pode ser o primeiro a receber a ligação. Ouça e encaminhe para a equipe.
Perguntas frequentes
A clínica pode impedir que ele saia?
Na internação voluntária, a saída pode ser solicitada por escrito pelo próprio paciente. A equipe conversa sobre riscos e alternativas, mas a decisão é dele. Situações de risco grave são avaliadas pela equipe médica.
Devo ir até a clínica quando ele pede para sair?
Só depois de falar com a equipe. Às vezes uma visita ajuda, às vezes atrapalha. A equipe conhece o momento do paciente e pode orientar.
E se ele ligar várias vezes no mesmo dia?
Mantenha a mesma resposta em todas as ligações: você ouviu, vai falar com a equipe e voltará a conversar. Consistência acalma mais do que discussões.
O pedido de saída significa que o tratamento não funcionou?
Não. Ambivalência é comum durante o tratamento. Pedidos feitos num momento de crise podem mudar depois de uma boa conversa.
Seu familiar quer sair e você precisa de orientação agora?
Fale com a equipe Viver Bem Sóbrio para entender os caminhos possíveis e organizar a conversa com a família. Conversar pelo WhatsApp · Telefone: (11) 99900-2928. Você também encontra apoio na Central de Orientação.
Fontes
- Lei nº 10.216/2001, artigos 6º e 7º (internação voluntária), Planalto.
- Lei nº 13.840/2019 (internação voluntária de dependentes de drogas), Planalto.
- Centro de Valorização da Vida (CVV).
Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação de profissionais de saúde.
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