AA e NA depois da alta: como funcionam e como escolher um grupo

Como funciona o AA? Os Alcoólicos Anônimos são grupos gratuitos de ajuda mútua em que pessoas que querem parar de beber se reúnem para compartilhar experiências e seguir um programa de Doze Passos. Os Narcóticos Anônimos (NA) funcionam do mesmo jeito para quem quer parar de usar drogas. Depois da alta, esses grupos podem ser um apoio contínuo, ao lado da terapia e das consultas, e não no lugar delas.

Este guia é para quem está saindo de um tratamento e para familiares que querem entender o que acontece nessas reuniões. Explicamos o formato, os Doze Passos, o papel do padrinho e como escolher um grupo.

O que são AA e NA

O site brasileiro de Alcoólicos Anônimos descreve o AA como “um método de tratamento do alcoolismo, no qual os membros ajudam-se mutuamente”. A participação não tem custo e é aberta a qualquer pessoa que queira parar de beber, sem distinção de religião, renda, profissão ou orientação sexual.

O NA segue a mesma lógica para outras drogas. Segundo o site oficial no Brasil, “há somente um requisito para ser membro: o desejo de parar de usar”. Não há matrícula nem taxas, e a irmandade não é ligada a grupos políticos, religiosos ou policiais. O NA se define como “um programa de total abstinência de todas as drogas”.

Uma diferença importante para quem acabou de sair de um tratamento: AA e NA não são serviços de saúde. Ninguém ali vai ajustar remédios, avaliar sintomas ou substituir o acompanhamento profissional. O valor dos grupos está na convivência com pessoas que vivem o mesmo desafio.

Como funciona o AA e o NA na prática: as reuniões

Cada grupo define dia, horário e duração das suas reuniões. Em geral, há um coordenador, que também é membro, a leitura de textos da irmandade e um tempo em que os participantes partilham suas experiências. Nas reuniões de debate, o grupo escolhe um tema, como os passos, o apadrinhamento ou situações do dia a dia.

No AA, segundo a própria irmandade, não há taxas nem mensalidades, somente contribuições voluntárias. Ninguém é obrigado a contribuir, nem a falar.

Reuniões abertas e fechadas

  • Reuniões fechadas: no AA, são apenas para membros ou para quem tem problema com a bebida. É ali que as pessoas costumam se sentir mais à vontade para falar de assuntos delicados.
  • Reuniões abertas: qualquer pessoa interessada pode assistir. O AA informa que pessoas não alcoólicas, como familiares, podem participar delas como observadoras.

Para familiares que querem conhecer o ambiente, a reunião aberta é a opção certa. Para o cuidado do próprio familiar, existem grupos específicos, como Al-Anon e Nar-Anon.

Online e presencial

AA e NA mantêm reuniões presenciais e a distância. O AA convida a participar “pelo seu computador, celular, tablet ou até pelo telefone”, e o NA tem uma seção de reuniões virtuais no site. O formato online ajuda quem trabalha em horários irregulares, mora longe de um grupo ou ainda sente vergonha de ir pessoalmente. O presencial, por outro lado, facilita criar laços e conhecer pessoas da própria cidade.

Os 12 passos e o apadrinhamento, em linguagem simples

Os Doze Passos são um roteiro de mudança pessoal. Em termos simples, eles propõem:

  • reconhecer que a bebida ou a droga tomou o controle da vida;
  • aceitar ajuda, de pessoas e de algo maior que si mesmo, que cada um entende à sua maneira;
  • olhar com honestidade para o próprio comportamento e conversar sobre isso com outra pessoa;
  • reparar, quando possível, os danos causados a outras pessoas;
  • manter essas práticas no dia a dia e ajudar quem está chegando.

O texto dos passos fala em Deus e em um Poder Superior, o que gera dúvidas em quem não é religioso. Os próprios grupos afirmam não ter ligação com religião e recebem pessoas de qualquer crença ou sem crença. Cada um avança no seu ritmo, sem cobrança de prazos.

O apadrinhamento é a relação entre um membro mais experiente (padrinho ou madrinha) e alguém que está começando. Segundo um folheto do NA sobre o tema, o padrinho é “simplesmente um outro adicto em recuperação, disposto a partilhar a sua caminhada através dos Doze Passos”. Ele pode dar apoio emocional, sugerir leituras e tirar dúvidas sobre o programa. O mesmo folheto deixa claro que o padrinho não é terapeuta, não dá conselhos profissionais e não substitui outros profissionais. Para conseguir um padrinho, basta pedir a alguém nas reuniões.

Como os grupos se encaixam no plano pós-alta

A alta de uma internação é o começo de uma nova fase, não o fim do cuidado. O período logo após a alta pode ser delicado, e contar com vários pontos de apoio ajuda a atravessá-lo. Um plano pós-alta bem montado pode combinar:

  • Acompanhamento profissional: consultas médicas e psicoterapia, com a frequência definida pela equipe que acompanhou o tratamento.
  • Grupos de ajuda mútua: AA, NA ou outros, como espaço de convivência e de rotina.
  • Família envolvida: com orientação para apoiar sem vigiar nem controlar.
  • Plano para momentos de risco: saber a quem ligar quando a vontade de usar aparecer.

Se você toma medicamentos prescritos, siga a orientação do seu médico. Comentários de outros membros sobre remédios não substituem a avaliação de quem acompanha o seu caso. Explicamos mais sobre essa fase em pós-tratamento da dependência química e em apoio após a alta da clínica. Para o longo prazo, veja manutenção da recuperação e dicas práticas de como manter a sobriedade. E, quando a vontade de usar aparecer, nosso texto sobre fissura e como lidar com ela pode ajudar.

Dicas para a primeira vez

  • Procure nos canais oficiais. Use a busca de reuniões do AA ou a busca de reuniões do NA. Ambos também têm linha de ajuda.
  • Experimente grupos diferentes. Cada grupo tem um clima próprio. Visitar mais de um antes de escolher é uma boa ideia.
  • Você pode só ouvir. O site do AA lembra que, na primeira reunião, você pode “apenas sentar e ouvir”.
  • Chegue um pouco antes. Dizer que é sua primeira vez costuma abrir conversas e facilita pegar contatos de outros membros.
  • Combine com a sua rotina. Escolha horários que você consiga manter. Constância costuma ajudar mais do que intensidade.
  • Uma recaída não fecha a porta. Os grupos recebem quem volta. Avise também a sua equipe de tratamento.

Como podemos ajudar

Se a vontade de usar voltou com força, se houve recaída ou se a família não sabe qual o próximo passo, converse com a equipe da Viver Bem Sóbrio. Fazemos uma triagem e indicamos a unidade mais próxima da nossa rede de clínicas no estado de São Paulo, com sede em São Roque.

Conversar pelo WhatsApp · Telefone: (11) 99900-2928 · E-mail: contato@viverbemsobrio.com.br

Perguntas frequentes

Preciso pagar para frequentar o AA ou o NA?

Não. As duas irmandades informam que não cobram taxas nem mensalidades. Existe a possibilidade de contribuição voluntária, que é opcional.

Familiar pode ir a uma reunião de AA?

Pode, nas reuniões abertas, como observador. As reuniões fechadas são reservadas a quem tem problema com a bebida. Para o apoio ao familiar, existem o Al-Anon e o Nar-Anon.

Frequentar o AA dispensa terapia depois da alta?

Não. Os grupos são apoio de convivência, não tratamento de saúde. O ideal é manter o acompanhamento combinado com a equipe e usar o grupo como complemento.

Qual a diferença entre AA e NA?

O AA é voltado a quem quer parar de beber; o NA, a quem quer parar de usar drogas, e propõe abstinência total de todas as drogas. Muitas pessoas que usaram álcool e outras drogas frequentam os dois.

Fontes

Por Equipe Viver Bem Sóbrio · Atualizado em outubro de 2026

Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. A Viver Bem Sóbrio não tem vínculo com Alcoólicos Anônimos nem com Narcóticos Anônimos.

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