Histórico de saúde: o que contar à equipe antes da internação

Por Equipe Viver Bem Sóbrio · Atualizado em outubro de 2026

Antes da internação, a equipe precisa conhecer o histórico de saúde completo da pessoa: doenças físicas, alergias, convulsões, gravidez, problemas de saúde mental, tratamentos anteriores e o padrão de uso de álcool e outras drogas. No histórico de saúde da internação por dependência química, nenhum desses itens é detalhe. Eles ajudam a equipe a prever riscos, como complicações da abstinência, e a escolher o cuidado mais seguro. A regra de ouro é contar a verdade, mesmo quando ela é desconfortável.

Este guia mostra o que informar e por quê. Ele complementa a lista de documentos e o guia de remédios de uso contínuo antes da internação, que trata dos medicamentos.

Por que o histórico de saúde na internação por dependência química pesa tanto

Parar de usar uma substância muda o funcionamento do corpo, e algumas pessoas têm mais risco de complicação do que outras. Um protocolo de síndrome de abstinência alcoólica de um hospital universitário da rede Ebserh, por exemplo, lista entre as manifestações graves as convulsões e o delirium tremens. O mesmo documento considera que histórico de convulsões, abstinências graves anteriores, epilepsia, uso de calmantes, gravidez e várias doenças clínicas pedem mais cuidado na escolha do tratamento.

Ou seja: a equipe usa o histórico para decidir onde e como a pessoa será cuidada com mais segurança. Informação omitida pode levar a um plano que não leva em conta um risco real. Para entender melhor esse quadro, veja o artigo sobre síndrome de abstinência alcoólica.

O que contar sobre a saúde física

  • Doenças crônicas: pressão alta, diabetes, problemas de coração, fígado, rins ou pulmões, doenças da tireoide.
  • Convulsões e epilepsia: se já teve, quando foi, se estava bebendo, usando drogas ou tinha parado de usar.
  • Traumatismos na cabeça: quedas, acidentes ou agressões recentes, mesmo que pareçam ter sido leves.
  • Alergias: a medicamentos, alimentos, látex ou outros materiais, e que tipo de reação ocorreu.
  • Cirurgias e internações anteriores, com o motivo e o ano aproximado.
  • Infecções: hepatites, HIV, tuberculose ou outras, se a pessoa souber. É informação protegida por sigilo e ajuda no cuidado.
  • Gravidez ou suspeita de gravidez: muda as escolhas de medicamentos e de acompanhamento. Na dúvida, diga que há dúvida.
  • Alimentação e sono: perda de peso importante, dificuldade de comer, insônia prolongada.

O que contar sobre saúde mental

Dependência química e outros problemas de saúde mental andam juntos com frequência, e um influencia o outro. A página sobre dependência química e saúde mental explica essa relação. Para a equipe, é importante saber sobre:

  • Diagnósticos já recebidos, como depressão, ansiedade, transtorno bipolar ou psicose.
  • Acompanhamentos com psiquiatra ou psicólogo, atuais ou passados.
  • Episódios de alucinação, desconfiança extrema ou comportamento muito diferente do habitual.
  • Pensamentos de morte, ameaças ou tentativas de suicídio, inclusive antigas. Esse é o item que as famílias mais têm medo de mencionar, e um dos mais importantes.

Tentativas anteriores de tratamento

Contar o que já foi tentado não é admitir fracasso. Ajuda a equipe a entender o que funcionou, o que não funcionou e por quê.

  • Internações ou tratamentos anteriores, com local e duração aproximados.
  • Como terminaram: alta planejada, saída antes do previsto, recaída logo depois.
  • Participação em grupos de apoio ou acompanhamento em CAPS AD.
  • Períodos sem uso: quanto tempo duraram e o que ajudou a mantê-los.

O padrão de uso de substâncias

Seja o mais concreto possível: quais substâncias, há quanto tempo, com que frequência, em que quantidade aproximada e quando foi o último uso. Mencione também a mistura com remédios. Se a família não souber algo com certeza, diga que não sabe. Um “não sei” honesto vale mais do que um palpite.

Como organizar e entregar essas informações

  1. Escreva um resumo de uma ou duas páginas, em tópicos, com as seções deste guia.
  2. Monte o resumo junto com seu familiar, se ele aceitar. A informação dele é a mais importante.
  3. Anexe relatórios, exames e resumos de alta que tiver.
  4. Entregue à equipe pelo canal combinado, antes ou no dia da avaliação.
  5. Guarde uma cópia com a família, em local protegido.

Tudo o que for contado à equipe está protegido por sigilo. O Código de Ética Médica proíbe o médico de revelar o que soube no exercício da profissão, salvo em situações específicas previstas, e a Lei 10.216/2001 garante o sigilo das informações prestadas pela pessoa em tratamento.

Quer saber o que é mais importante no caso do seu familiar?

Converse com a equipe antes da avaliação. Ela pode orientar quais informações e exames ajudam mais e como enviá-los com segurança.

Falar com a equipe pelo WhatsApp ou ligue (11) 99900-2928.

Não espere a internação se houver sinais de risco

Convulsão, confusão intensa, tremores fortes com agitação, alucinações, febre alta, dor no peito ou falta de ar exigem atendimento imediato: SAMU 192, UPA ou pronto-socorro. Se o seu familiar falar em tirar a própria vida, não o deixe sozinho e procure ajuda. O CVV atende pelo 188, 24 horas. Veja também o guia de prevenção do suicídio relacionado a álcool e drogas.

Se for seu pai ou mãe, cônjuge, filho adulto ou irmão

  • Pai ou mãe: em pessoas mais velhas, o histórico costuma ser longo. Priorize doenças atuais, remédios, quedas recentes e qualquer mudança de memória ou de comportamento.
  • Cônjuge ou companheiro: você pode saber de coisas que nem os médicos anteriores souberam, como episódios noturnos ou uso escondido. Conte, mesmo que seja difícil.
  • Filho ou filha adulta: pergunte diretamente sobre gravidez, infecções e saúde mental, mas aceite que ele pode preferir contar essas informações só à equipe. Isso é um direito dele.
  • Irmão ou irmã: pode lembrar de fatos da infância e da história familiar que os pais minimizam, como casos de dependência ou de doença mental na família. Isso também é útil.

Perguntas frequentes

E se meu familiar pedir para eu não contar algo à equipe?

Explique que a informação serve para a segurança dele. Se for algo que envolve risco, como convulsões ou pensamentos de suicídio, a família deve informar a equipe. A equipe saberá conduzir a conversa com o paciente.

Preciso ter todos os exames antes da internação?

Não necessariamente. Leve o que já existe. A equipe avalia se são necessários exames novos e quais.

Contar sobre uso de drogas ilícitas pode trazer problemas legais?

O que é dito à equipe de saúde está protegido pelo sigilo profissional. Esconder o uso, por outro lado, pode levar a um tratamento menos seguro.

Histórico de doença mental na família importa?

Pode importar. Casos de dependência, depressão, transtorno bipolar ou suicídio entre parentes próximos ajudam a equipe a compreender o quadro.

Já tem a data da avaliação?

Fale com a equipe para enviar o resumo de saúde com antecedência e organizar a admissão com segurança. Mais orientações sobre a preparação estão na página de documentos para internação de dependente químico e na Central de Orientação.

Falar com a equipe pelo WhatsApp ou ligue (11) 99900-2928.

Fontes

Conteúdo informativo, não substitui avaliação profissional. Cada caso deve ser avaliado individualmente por equipe de saúde qualificada.

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