O teste AUDIT de álcool é um questionário de 10 perguntas criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para identificar se o consumo de bebida está trazendo riscos à saúde. Ele leva poucos minutos, soma de 0 a 40 pontos e indica uma faixa de risco. É uma ferramenta de rastreio: um resultado alto mostra que vale procurar avaliação, mas não é um diagnóstico.
Antes de responder, é importante entender o que conta como “uma dose”. É a partir dessa medida que as perguntas fazem sentido.
O que é uma dose padrão
Dose padrão é uma medida da quantidade de álcool puro presente na bebida, não do tamanho do copo. O manual do AUDIT da OMS considera que uma dose equivale a 10 gramas de álcool puro. Cada país tem a sua definição: o próprio manual cita 14 g nos Estados Unidos e 8 g no Reino Unido, por exemplo. Segundo o manual técnico do programa Modera, da Prefeitura de São Paulo, o Brasil passou a adotar a referência de 10 gramas em dezembro de 2024.
Equivalências em cerveja, vinho e destilado
Para saber quantos gramas de álcool há em uma bebida, uma conta simples resolve: volume em ml × teor alcoólico (%) ÷ 100 × 0,8 (0,8 é a densidade aproximada do álcool). Aplicando essa conta, uma dose de cerca de 10 g corresponde, de forma aproximada, a:
- Cerveja comum (5%): cerca de 250 ml. Uma lata de 350 ml tem perto de 14 g, ou seja, quase uma dose e meia.
- Vinho (12%): cerca de 100 ml, uma taça pequena. Uma garrafa de 750 ml tem perto de 7 doses.
- Destilado (40%), como cachaça, vodca ou uísque: cerca de 30 ml.
Bebidas mais fortes, copos maiores e doses servidas “no olho” aumentam a conta. Na dúvida, confira o teor alcoólico no rótulo. Lembre também que, segundo a OMS, nenhuma forma de consumo de álcool é livre de riscos.
O que é o teste AUDIT para álcool
AUDIT é a sigla em inglês de Teste para Identificação de Problemas Relacionados ao Uso de Álcool. A OMS o desenvolveu como um método simples de rastrear o consumo excessivo, e o publicou com orientações para uso na atenção primária. No Brasil, o Ministério da Saúde oferece uma versão digital, o Modera Brasil, dentro do aplicativo Meu SUS Digital.
Origem e limites: rastreio não é diagnóstico
O manual da OMS é claro: depois de uma pontuação alta, o passo seguinte é o diagnóstico, feito por um profissional, porque o questionário sozinho não basta para definir um plano de tratamento. Use o resultado como um sinal, não como um rótulo. Respostas sinceras dão um retrato mais útil.
Faça o teste
Pense nos últimos 12 meses e anote os pontos de cada resposta. As perguntas abaixo são uma tradução livre do questionário publicado pela OMS; versões validadas no Brasil podem ter pequenas diferenças de redação.
10 perguntas
1. Com que frequência você toma bebidas alcoólicas?
Nunca (0) · Uma vez por mês ou menos (1) · 2 a 4 vezes por mês (2) · 2 a 3 vezes por semana (3) · 4 ou mais vezes por semana (4)
2. Nos dias em que bebe, quantas doses você costuma tomar?
1 ou 2 (0) · 3 ou 4 (1) · 5 ou 6 (2) · 7 a 9 (3) · 10 ou mais (4)
3. Com que frequência você toma seis ou mais doses em uma mesma ocasião?
Nunca (0) · Menos de uma vez por mês (1) · Mensalmente (2) · Semanalmente (3) · Todos ou quase todos os dias (4)
As perguntas 4 a 8 usam as mesmas opções da pergunta 3: Nunca (0) · Menos de uma vez por mês (1) · Mensalmente (2) · Semanalmente (3) · Todos ou quase todos os dias (4).
- No último ano, com que frequência você percebeu que não conseguia parar de beber depois de começar?
- No último ano, com que frequência deixou de fazer o que se esperava de você por causa da bebida?
- No último ano, com que frequência precisou beber logo pela manhã para se sentir bem depois de ter bebido muito?
- No último ano, com que frequência sentiu culpa ou remorso depois de beber?
- No último ano, com que frequência não conseguiu lembrar o que aconteceu na noite anterior por causa da bebida?
9. Você ou outra pessoa já se machucou por causa da sua bebida?
Não (0) · Sim, mas não no último ano (2) · Sim, no último ano (4)
10. Algum parente, amigo, médico ou outro profissional de saúde já se preocupou com o seu consumo ou sugeriu que você bebesse menos?
Não (0) · Sim, mas não no último ano (2) · Sim, no último ano (4)
Como somar os pontos
Some os pontos das 10 respostas. O total vai de 0 a 40. Nas perguntas 1 a 8, cada resposta vale de 0 a 4. Nas perguntas 9 e 10, só existem os valores 0, 2 ou 4. Se respondeu “nunca” na pergunta 1, pule direto para as perguntas 9 e 10.
O que significa o seu resultado
O manual da OMS divide os resultados em quatro zonas de risco:
- Zona I, de 0 a 7 pontos: menor risco. A orientação é informação sobre álcool e saúde.
- Zona II, de 8 a 15 pontos: consumo de risco. Recomenda-se orientação simples para reduzir.
- Zona III, de 16 a 19 pontos: uso nocivo. Recomenda-se orientação, aconselhamento breve e acompanhamento.
- Zona IV, de 20 a 40 pontos: possível dependência. Recomenda-se encaminhamento a um especialista para avaliação diagnóstica e tratamento.
Para mulheres e para pessoas com mais de 65 anos, o manual sugere considerar o ponto de corte um ponto mais baixo, ou seja, a partir de 7 pontos já vale atenção. O manual também pede atenção a pontos nas perguntas 4 a 6, que podem indicar sinais de dependência, e nas perguntas 7 a 10, que mostram danos já presentes. Quem marcou 2 ou mais nas perguntas 4, 5 ou 6, ou 4 pontos nas perguntas 9 ou 10, deve seguir a orientação da zona acima da sua. Para entender esses sinais, veja sinais de dependência de álcool e quando o consumo de álcool vira alcoolismo.
Próximos passos de acordo com a faixa
- Zona I: mantenha-se informado e observe mudanças. Evite beber antes de dirigir, durante a gravidez e se usar medicamentos.
- Zona II: defina dias sem álcool, conte as doses e converse com um profissional da UBS. Pequenas mudanças podem reduzir riscos.
- Zona III: procure avaliação com médico ou psicólogo. Se tentou reduzir e não conseguiu, isso é uma informação importante para levar à consulta.
- Zona IV: busque avaliação especializada. Não é um veredito, é um sinal de que o cuidado profissional faz diferença.
Atenção: quem bebe muito todos os dias não deve interromper de uma hora para outra sem orientação. A parada brusca pode causar abstinência, que às vezes é grave. Entenda os riscos em síndrome de abstinência alcoólica e procure ajuda antes de parar.
Se você fez o teste pensando em um familiar, lembre que as respostas dependem de informações que só a própria pessoa tem. Use o resultado para abrir uma conversa, não para acusar. Explicamos mais em como identificar o alcoolismo e o que é alcoolismo.
Como podemos ajudar
Seu resultado ficou nas zonas III ou IV, ou você está preocupado com alguém? Converse com a equipe da Viver Bem Sóbrio. Fazemos uma triagem e indicamos a unidade mais próxima da nossa rede de clínicas no estado de São Paulo, com sede em São Roque.
Conversar pelo WhatsApp · Telefone: (11) 99900-2928 · E-mail: contato@viverbemsobrio.com.br
Perguntas frequentes
O teste AUDIT diz se eu sou alcoólatra?
Não. Ele é um rastreio que indica o nível de risco. O diagnóstico de dependência depende de uma avaliação profissional.
Quanto é beber demais?
Não existe um número seguro para todos. A OMS afirma que nenhuma forma de consumo é livre de riscos. Beber seis ou mais doses em uma ocasião, beber para aliviar sintomas ou não conseguir parar depois de começar são sinais de alerta.
Uma lata de cerveja é uma dose?
Pela referência de 10 g, não. Uma lata de 350 ml de cerveja a 5% tem cerca de 14 g de álcool, quase uma dose e meia.
Posso refazer o teste depois de um tempo?
Sim. Refazer depois de algumas semanas ou meses ajuda a perceber se as mudanças estão funcionando. Se a pontuação sobe ou não baixa, é hora de procurar ajuda.
Fontes
- Organização Mundial da Saúde. Babor TF, Higgins-Biddle JC, Saunders JB, Monteiro MG. AUDIT: The Alcohol Use Disorders Identification Test, Guidelines for Use in Primary Care. 2ª ed., 2001 (cópia hospedada pela OPAS). https://www.paho.org/sites/default/files/Auditmanual_ENG.pdf. Acesso em 22/10/2026.
- Organização Mundial da Saúde. Alcohol (fact sheet, 28/06/2024). https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/alcohol. Acesso em 22/10/2026.
- Prefeitura de São Paulo, Secretaria Municipal da Saúde. Programa de Rastreamento e Prevenção do Consumo Nocivo de Álcool (Modera SP), manual técnico, 2ª ed., março de 2025. https://prefeitura.sp.gov.br/documents/d/saude/manual_tecnico_modera_mar25-pdf. Acesso em 22/10/2026.
- Agência Gov. População poderá medir consumo de álcool por meio de ferramenta (Modera Brasil, Meu SUS Digital), 10/08/2026. https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202608/populacao-podera-medir-consumo-de-alcool-por-meio-de-ferramenta. Acesso em 22/10/2026.
- Moretti-Pires RO, Corradi-Webster CM. Adaptação e validação do AUDIT para população ribeirinha do interior da Amazônia. Cadernos de Saúde Pública, 27(3), 2011. https://scielosp.org/pdf/csp/v27n3/10.pdf. Acesso em 22/10/2026.
Por Equipe Viver Bem Sóbrio · Atualizado em outubro de 2026
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. O AUDIT é um instrumento de rastreio e não faz diagnóstico.
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