Por Equipe Viver Bem Sóbrio · Atualizado em outubro de 2026
Saber como explicar os sintomas na avaliação faz diferença quando há uso de álcool ou drogas junto com tristeza, ansiedade ou outras formas de sofrimento. O caminho mais útil é chegar com algumas anotações simples (humor, sono, padrão de uso e o que começou primeiro), ser honesto sobre a quantidade e a frequência do uso, falar abertamente de crises e pensamentos de morte e levar a lista dos remédios em uso. A família pode completar o relato, mas a voz principal é da pessoa.
Isso vale para a primeira consulta com psiquiatra, psicólogo, CAPS ou clínica. Se você ainda está decidindo por onde começar, veja o guia sobre dependência química e depressão: que profissional procurar.
Por que o jeito de contar importa
Os sintomas do uso de substâncias e os de depressão ou ansiedade se misturam. O Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH) destaca que, por essa sobreposição, um diagnóstico preciso é fundamental para tratar bem os dois quadros. E o profissional só consegue separar uma coisa da outra com uma história clara: o que veio antes, o que piora com o uso, o que continua mesmo sem usar.
A relação entre essas condições está explicada em dependência química e saúde mental. Aqui o foco é a conversa em si.
O que anotar antes da consulta
Uma folha com tópicos curtos ajuda muito, principalmente quando o nervosismo dá “branco”. Não precisa ser perfeito.
Linha do tempo
- Quando começou o uso e quando ele aumentou.
- Quando começaram a tristeza, a ansiedade, o medo ou a irritação.
- O que veio primeiro, se você souber. Se não souber, diga isso.
- Fatos marcantes no período: perdas, separações, desemprego, mudanças.
Humor e sono
- Como tem estado o humor na maior parte dos dias das últimas semanas.
- Crises de ansiedade ou pânico: frequência e o que acontece no corpo.
- Sono: horário, quantas horas, se acorda de madrugada, se precisa de álcool ou remédio para dormir.
- Apetite, energia, interesse pelas coisas.
Uso de álcool e drogas
- Quais substâncias, quanto, com que frequência e de que forma.
- Último uso de cada uma.
- O que acontece quando fica sem usar (tremores, suor, insônia, irritação).
- Se usa para aliviar tristeza, ansiedade ou para dormir.
Medicamentos e saúde
- Remédios em uso, com nome, dose prescrita e quem prescreveu. Leve as receitas ou fotos das caixas.
- Remédios tomados por conta própria.
- Doenças conhecidas e tratamentos anteriores.
Se a avaliação for para internação, a lista mais completa de informações de saúde está em histórico de saúde para a internação.
Já tem a avaliação marcada ou quer agendar uma? A equipe da Viver Bem Sóbrio ajuda a organizar o que levar e o que esperar. Fale pelo WhatsApp ou ligue para (11) 99900-2928.
Como explicar os sintomas na avaliação com honestidade
Sobre o uso
É comum diminuir a quantidade (“bebo socialmente”) por vergonha ou medo de julgamento. Só que valores menores do que os reais podem levar a decisões erradas, inclusive sobre o risco de abstinência. Algumas formas de dizer:
- “Vou ser sincero: bebo quase todo dia, e mais do que eu admito para a família.”
- “Não sei a quantidade exata, mas é algo em torno de…”
- “Uso também remédio para dormir sem receita.”
Profissionais de saúde têm dever de sigilo e estão acostumados a ouvir isso. O objetivo é cuidar.
Sobre crises e pensamentos de morte
Falar de pensamentos de morte, de “sumir” ou de não querer acordar é parte importante da avaliação. Uma nota orientativa da Secretaria da Saúde do Paraná lembra que é um mito que perguntar ou falar sobre suicídio coloca a ideia na cabeça de alguém. Se o profissional perguntar, responda com sinceridade. Se ele não perguntar e você tiver esses pensamentos, diga você mesmo. Mais orientações em prevenção do suicídio em quem usa álcool ou drogas.
Se os pensamentos de morte estão fortes agora: não espere a consulta. Ligue para o CVV 188 (gratuito, 24 horas), para o SAMU 192 ou vá à UPA ou pronto-socorro mais próximo.
Sobre o que você não sabe
“Não sei se a tristeza vem da bebida ou se bebo porque estou triste” é uma resposta válida. Diga isso. Descobrir é trabalho da avaliação, às vezes em mais de um encontro.
Como a família pode complementar sem falar pela pessoa
Quem convive vê coisas que a pessoa não percebe ou não lembra, como mudanças de comportamento, episódios de intoxicação e horários de uso. Esse olhar ajuda, desde que não tome o lugar da voz dela.
- Combine antes o que a pessoa quer contar sozinha e em que momento você pode entrar.
- Peça ao profissional um momento separado, se houver algo que você precisa relatar e que seria difícil dizer na frente dela.
- Traga fatos, não rótulos: “Na última semana, ele bebeu todos os dias até a madrugada” ajuda mais do que “ele é irresponsável”.
- Não corrija a cada frase. Se discordar, anote e fale no seu momento.
- Respeite o sigilo. Depois da consulta, não exija saber tudo o que foi dito.
O papel do familiar nessa etapa está detalhado em como a família pode acompanhar a avaliação.
Se for seu pai/mãe, cônjuge, filho adulto ou irmão
- Pai ou mãe idosos: confusão ou esquecimento podem ser efeito do álcool, de remédios ou de outra doença. Relate quando começaram.
- Cônjuge: você pode ter informações sobre o sono e o uso noturno que ninguém mais tem. Conte com cuidado, sem transformar a consulta em acerto de contas.
- Filho adulto: ofereça ajuda para fazer as anotações, mas deixe que ele as apresente.
- Irmão ou irmã: você pode lembrar de histórico familiar de depressão ou dependência, que é informação útil.
Para outras etapas do cuidado, consulte a Central de Orientação.
Perguntas frequentes
Posso levar as anotações escritas e ler na consulta?
Pode e deve. Isso ajuda a não esquecer nada importante e mostra ao profissional que você se preparou.
Se eu contar tudo sobre o uso, vou ser internado à força?
Não é assim que funciona. Contar a verdade ajuda o profissional a indicar o cuidado mais seguro. Internação depende de indicação médica e segue regras legais específicas.
E se eu estiver sob efeito de álcool ou drogas no dia?
Diga logo no início. Pode ser necessário remarcar ou adaptar a consulta, e isso também é uma informação útil para a equipe.
O familiar pode falar com o profissional sem a pessoa?
Pode pedir, e muitos profissionais reservam um momento para isso. O que será compartilhado depois com a família depende da autorização do paciente.
Quer uma avaliação que considere o uso e o sofrimento emocional juntos? A rede Viver Bem Sóbrio, com sede em São Roque e clínicas no estado de São Paulo, faz a triagem e indica a unidade mais próxima. Falar com a equipe pelo WhatsApp · (11) 99900-2928
Fontes
- NIMH: Substance Use and Co-Occurring Mental Disorders
- Secretaria de Estado da Saúde do Paraná: Nota Orientativa sobre prevenção do suicídio (2024)
- CVV: Centro de Valorização da Vida
Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação de um profissional de saúde.
Comments are closed