Por Equipe Viver Bem Sóbrio · Atualizado em outubro de 2026
Este checklist reúne as informações para iniciar tratamento. Dependência química envolve muito mais do que a substância, e a equipe trabalha melhor quando a família chega com dados organizados sobre seis pontos: padrão de uso, tentativas anteriores, rotina, contatos importantes, rede de apoio e questões práticas como trabalho, finanças e filhos. Não é preciso ter tudo. Anote o que você sabe e diga claramente o que não sabe.
Aqui ficam só as informações não médicas. Documentos formais e o histórico de saúde têm guias próprios, citados ao longo do texto.
Por que reunir essas informações antes
Na avaliação, os profissionais precisam entender a situação em pouco tempo. A Lei 13.840/2019 determina que a avaliação prévia considere, no mínimo, o tipo de droga, o padrão de uso e o risco à saúde física e mental da pessoa e de quem convive com ela. Muito disso a família observa de perto.
Além disso, o NIDA, instituto norte-americano de pesquisa sobre drogas, aponta que um tratamento eficaz cuida das múltiplas necessidades da pessoa, incluindo aspectos sociais, profissionais e legais, e não apenas do uso. Informações sobre rotina, trabalho e família ajudam a equipe a planejar isso desde o começo.
Um lembrete: o adulto em tratamento é a principal fonte sobre ele mesmo. As anotações da família complementam o relato dele, não o substituem. Se possível, preencham juntos.
Informações para iniciar tratamento: dependência química em seis blocos
1. Padrão de uso
- Quais substâncias ele usa (álcool, drogas, remédios sem prescrição, jogos e apostas, se for o caso)?
- Desde quando, aproximadamente?
- Com que frequência: todos os dias, fins de semana, em crises?
- Em que quantidade, mais ou menos, se você souber?
- Em que horários e situações o uso costuma acontecer?
- Quando foi o último uso, e qual a quantidade?
- Há mistura de substâncias?
Se o problema principal for o álcool, o teste AUDIT pode ajudar a organizar essas informações antes da avaliação.
2. Tentativas anteriores
- Ele já tentou parar sozinho? O que aconteceu?
- Já fez algum tratamento (consultas, CAPS AD, grupos, internação)? Onde e quando?
- Quanto tempo conseguiu ficar sem usar, e o que levou à volta ao uso?
- O que ajudou e o que não ajudou, na opinião dele e da família?
Essas respostas evitam repetir o que já não funcionou e mostram o que pode ser aproveitado.
3. Rotina atual
- Horários de sono e de alimentação.
- Trabalho ou estudo: está ativo, afastado, desempregado?
- Como ocupa o tempo livre.
- Com quem passa a maior parte do dia.
- Lugares, pessoas ou situações associados ao uso.
4. Contatos importantes
- Familiar de referência para a equipe (nome, telefone, relação).
- Um segundo contato, para emergências.
- Médico ou psicólogo que já o atendeu, se houver.
- Advogado, assistente social ou outro profissional envolvido, se houver.
Pergunte a ele quem autoriza que receba informações sobre o tratamento. Isso evita constrangimento depois.
5. Rede de apoio
- Quem, na família ou fora dela, apoia o tratamento?
- Há amigos ou colegas que ajudam, e outros que favorecem o uso?
- Ele frequenta algum grupo, comunidade religiosa ou atividade que faça bem?
- Quem pode cuidar de filhos, casa ou animais durante o tratamento?
6. Questões práticas
- Trabalho: precisa de afastamento? Quem vai comunicar e como (com autorização dele)?
- Finanças: há dívidas, contas atrasadas, cartões ou contas bancárias que precisam de atenção?
- Moradia: onde ele vai morar depois do tratamento?
- Justiça: há processos ou compromissos legais em andamento?
- Filhos: guarda, pensão, escola, quem explica a ausência.
- Plano de saúde: tem convênio? Qual o tipo de plano?
Checklist pronto, ou quase? Você não precisa ter todas as respostas para dar o primeiro passo. A equipe da Viver Bem Sóbrio ajuda a completar o que falta na avaliação. Agendar pelo WhatsApp ou ligue (11) 99900-2928.
O que não precisa estar no checklist
Este guia não trata de documentos pessoais nem do histórico médico detalhado. Para os documentos, veja o guia de documentos para internação. Os remédios em uso, doenças e alergias serão perguntados pela equipe de saúde na avaliação inicial.
Também não é necessário levar provas, prints de conversas ou listas de acusações. O objetivo é informar, não montar um processo contra ele.
Um exemplo de como fica no papel
Para ficar mais fácil, veja um modelo resumido, com dados fictícios:
- Uso: álcool, todos os dias há cerca de dois anos; destilado à noite; último uso ontem à noite.
- Tentativas: parou sozinho por algumas semanas no ano passado; voltou após perder o emprego.
- Rotina: dorme tarde, acorda perto do almoço, passa as tardes sozinho em casa.
- Contatos: irmã (referência), mãe (emergência), clínico geral do posto.
- Apoio: irmã e um amigo de infância; colegas de bar incentivam o uso.
- Prático: desempregado, aluguel atrasado, dois filhos que moram com a ex-companheira.
Repare que cada linha é curta e objetiva. É isso que ajuda a equipe.
Como organizar e entregar as informações
- Escreva em tópicos curtos. Uma ou duas páginas bastam.
- Separe fatos de impressões. “Bebe todos os dias desde março” é fato. “Acho que ele está bebendo escondido no trabalho” é impressão. As duas são úteis, mas devem estar identificadas.
- Marque o que é urgente, como uso diário intenso, episódios recentes de crise ou falas sobre morte.
- Combine com ele o que será compartilhado. Se houver algo que ele prefira contar pessoalmente, respeite.
- Guarde uma cópia. Ela será útil em outras etapas, como no planejamento da alta.
Se for seu pai/mãe, cônjuge, filho adulto ou irmão
- Pai ou mãe: dê atenção especial à rotina de remédios e a quem administra o dinheiro da casa.
- Cônjuge: inclua informações sobre os filhos, a divisão de tarefas e a situação financeira do casal.
- Filho adulto: ele deve participar do preenchimento. Informações sobre trabalho, estudo e relacionamentos são dele, não dos pais.
- Irmão ou irmã: às vezes você sabe de coisas que os pais não sabem. Combine com ele o que levar à equipe.
Perguntas frequentes
E se eu não souber quanto ou o que ele usa?
É comum. Escreva “não sei” e conte o que você observa: mudanças de comportamento, sumiços, gastos. A equipe faz as perguntas diretamente a ele na avaliação.
Devo entregar o checklist sem ele saber?
O ideal é que ele saiba e, se possível, participe. Informações compartilhadas às escondidas podem abalar a confiança no início do tratamento.
Essas informações ficam em sigilo?
As informações de saúde e as da avaliação são sigilosas, e a Lei 13.840/2019 prevê sigilo para os dados da avaliação e do plano individual. Pergunte à equipe como os dados são guardados.
Para entender as etapas legais, leia como funciona a internação voluntária e visite a Central de Orientação.
Informações reunidas? Hora de marcar a avaliação. Fale com a equipe e leve o checklist. Atendemos particular e convênios como Bradesco Saúde, Porto Seguro, Unimed, SulAmérica e Medservice. Falar com a equipe no WhatsApp · (11) 99900-2928
Fontes
Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação de um profissional de saúde.
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